Quando eu era criança achava o máximo ter nascido num ano terminado em 5. Eu e minha ingenuidade infantil, achávamos incrível o fato de que em todo ano terminado em 5, eu faria uma idade terminada em 0 e em todo ano terminado em 0, eu faria uma idade terminada em 5. E quando eu devaneava, quando eu, minhas canetas roxas com brilho e meus cadernos do smiliguido ou de uma imitação da Barbie, pensávamos na vida adulta, tudo parecia muito longe. 20, 25, 30, 40 anos? Como seria o mundo nessa época? O que eu estaria fazendo, onde eu estaria vivendo, quais coisas já teria feito? E ali, eu, minhas canetas roxas e um diário possivelmente comprado após muita insistência infantil, traçávamos planos e metas para a vida que ainda parecia longe e, mesmo assim, eu já queria ter controle de tudo.
Uma coisa que a pequena eu não percebeu lá atrás, no entanto, é que a vida tinha nos dado mais uma coisa incrível que Thiarlley mirim com certeza teria anotado: os 30 anos vieram, como teriam que vir, no dia 30. Não teria como mudar este fato, é claro, mas a pequena eu teria achado o máximo anotar em sua lista roxa e brilhosa que faria 30 no dia 30. E cá estou eu.
O mundo não mudou muita coisa de lá pra cá e a vida foi muito generosa me dando a chance de riscar da lista algumas das metas que minha eu criança decretou para minha eu adulta. Ainda falta muita coisa, é claro, mas talvez seja essa a graça da coisa toda: metas se cumpriram, mas outras metas vieram. Planos se adaptaram. Teve choro, mas teve aprendizado. Teve dor, mas também teve sorriso.
E assim a gente segue. Eu & mini Thiarlley ainda temos o roxo em comum (agora com amarelo, é claro) e nossas listas seguem crescendo, cheias de metas, cheias de planos e cheias de vontade de viver. Porque envelhecer é uma delícia.
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